O Cérebro da Criança é uma Máquina Perfeita para Aprender
Aproveitando que estamos no pós-dia das crianças, vamos dar informações sobre essa máquina de aprender que se chama: cérebro infantil!
Quem tem idade suficiente para ter aprendido a dirigir carro manual vai entender a seguinte metáfora: pensa naquele momento entre você sair da primeira marcha, ir para a segunda e o carro desenvolver mais velocidade, sabe esse timing certinho que a gente aprende na prática, ouvindo o barulho do motor e sentindo o carro? Se você faz bolo ou pão, você consegue pensar naquele momento de deixar a massa descansando por um tempo, e você sabe o quanto esse tempo é crucial para o andamento (ou desandamento) da receita inteira, correto?
Fiquem com estas 2 situações em mente e mais na frente vai fazer sentido.
O ser humano aprende a realizar as tarefas mais difíceis na infância. Andar, por exemplo, é uma habilidade que requer um esforço motor e cognitivo IMENSO. Pense bem: equilibrar o corpo, coordenar pernas, braços, cabeça, processar informações visuais do ambiente, calcular distâncias, ajustar a postura a cada milésimo de segundo. E as crianças aprendem isso naturalmente, como? Tentando! (Aqui já fica um recado para os adultos que ficam com vergonha de tentar algo pela primeira vez: tentem.)
A Neurociência por Trás da Máquina de Aprender
Aqui entra a neurociência para explicar esse fenômeno incrível. O cérebro infantil tem algo que os cientistas chamam de neuroplasticidade aumentada. Em termos simples? O nosso cérebro é formado por conexões elétricas, e o que acontece quando colocamos eletricidade em água? Ela se espalha muito rapidamente! Agora imagina o carro “pedindo” a segunda marcha e você coloca a quarta, o que acontece? Esse motor perde velocidade. O cérebro da criança está pronto para receber muitos estímulos para produzir mais conexões, então a “água” tem que ser fornecida para que isso aconteça. Por isso a vida familiar é tão importante, a qualidade das relações familiares importa tanto para o desenvolvimento de pessoas saudáveis.
Entre 0 e 6 anos, o cérebro infantil forma aproximadamente 1 milhão de conexões neurais por segundo. Sim, você leu certo: por SEGUNDO. É nessa fase que se formam as chamadas “janelas de oportunidade” para diversos aprendizados, e a linguagem é uma das mais importantes.
Lembra das metáforas lá do início? A troca de marcha do carro e o descanso da massa? O desenvolvimento do cérebro infantil funciona exatamente assim; precisando do estímulo correto, no momento correto. Mesmo que esse estímulo seja o tédio, o descanso.
Segunda Língua: Não é “Algo a Mais”, é Parte da Identidade
Aqui está o ponto crucial que muitos pais não percebem: quando uma criança aprende um segundo idioma na primeira infância, ela não está aprendendo uma “língua estrangeira”. Ela está simplesmente aprendendo a se comunicar. Para o cérebro dela, não existe “língua materna” e “segunda língua” como categorias separadas. Existem apenas formas de expressar pensamentos, sentimentos e necessidades.
Isso não é teoria da nossa cabeça. Na Europa, especialmente em países com fronteiras próximas, é comum encontrar crianças filhas de pais de nacionalidades diferentes. Um pai francês, uma mãe alemã, morando na Bélgica. E sabe o que acontece? A criança cresce falando três idiomas com a mesma fluência, alternando entre eles sem nem perceber. Ela fala francês com o pai, alemão com a mãe e holandês na escola. E faz isso naturalmente, sem confusão, sem sotaque, sem esforço.
Isso acontece há décadas, em milhares de famílias europeias, e comprova o que a neurociência já mapeou: o cérebro infantil não vê idiomas como “disciplinas” separadas. Ele vê como ferramentas de comunicação que fazem parte da sua formação de identidade. Isso aumenta exponencialmente a capacidade cerebral da criança.
O Período Crítico: Uma Janela que Fecha
Os neurocientistas identificaram o que chamam de “período crítico” para aquisição de linguagem. Esse período vai, aproximadamente, do nascimento até a puberdade, com o pico de eficiência acontecendo até os 7 anos de idade. Durante essa fase, a área do cérebro responsável pela linguagem (principalmente o hemisfério esquerdo, com destaque para as áreas de Broca e Wernicke) está em desenvolvimento acelerado.
Depois dessa fase? O aprendizado de idiomas ainda é possível, claro, mas acontece de forma diferente. Assim como o aprendizado de várias outras coisas que acontecem depois dos 7 anos, é completamente possível aprender inglês ou francês ou física ou cálculos avançados ou música,… na vida depois dos 7 aos!
O adulto precisa usar mais áreas do cérebro, fazer mais esforço consciente, e geralmente se dedicar de maneira consciente para qualquer aprendizado da sua vida.
É como construir uma casa: você pode fazer reformas e ampliações depois de pronta, mas a estrutura fundamental, os alicerces, esses precisam estar corretos desde o início.
O Mito da Confusão Mental
“Ah, mas meu filho não vai confundir tudo? Não vai atrasar o desenvolvimento?”
Esse é um dos mitos mais comuns e mais desmentidos pela ciência. Não, a criança não vai confundir. Ela pode, sim, misturar palavras de idiomas diferentes na mesma frase quando está começando (isso se chama code-switching e é completamente normal), mas isso não é confusão. É o cérebro dela fazendo exatamente o que deveria fazer: buscando a melhor ferramenta disponível para expressar o que quer dizer.
Dentro de alguns meses, ela naturalmente começa a separar os contextos e usar cada idioma adequadamente. E o melhor: sem que ninguém precise “ensinar” isso formalmente. O cérebro infantil faz essa organização sozinho.
O Futuro
Essa criança se transformará num adolescente e num jovem que irá lidar com vários aspectos da vida em sociedade. Possivelmente ela lidará gabaritos de provas, com resultados concursos, com notas de ENEM, com estratégias de redação para obter uma pontuação mais alta, isso irá acontecer no futuro. No presente, o contexto para o melhor desenvolvimento do cérebro deve ser um contexto que ofereça a marcha adequada, o tempo de descanso adequado, para que haja o pleno desenvolvimento cerebral em todas as áreas (social, emocional, motora e cognitiva).
Sugestões e Dicas para Idades Diferentes
Vou deixar aqui algumas sugestões que servem como alternativas para estimular o desenvolvimento do cérebro em faixas etárias diferentes:
0-1 ano: Tummy time e mostrar cartões com alto contraste mas poucas cores. (Se você pesquisar toddler contrast cards no Google, aparecem opções para imprimir em casa).
2 a 3 anos: Tirar fotos de alguns brinquedos que a criança já tem em casa, imprimir essas fotos e ensinar a criança a parear o brinquedo com a foto, isso vai exigir que a criança se movimente e que engaje seu cérebro em uma atividade que vai estimular a memória (lembrar qual a foto e ir buscar o brinquedo).
4 a 5 anos: Brincar de “Seu rei mandou dizer, traga alguma coisa que começa com b…” Isso pode ser feito com “traga alguma coisa ou diga alguma coisa”. Você e a criança estão no carro, em casa, esperando atendimento num consultório,… e olhando para o ambiente ao redor, você diz a criança que ela deve trazer para você um objeto que começe com o som de TAL letra, ou ela deve olhar o ambiente e te dizer algum objeto do ambiente que começe com o som de TAL letra. Seria algo assim “Seu rei mandou dizer: traga um objeto que começe com bê (aqui você faz o SOM da letra B)” e você fica olhando para o ambiente para ajudar a criança a achar uma bola, uma boneca, um balde, algo que começe com esse som. Depois vocês trocam de papel e a criança faz a parte do “Seu rei mandou dizer”. Isso vai estimular o desenvolvimento das conexões neurais que se transformarão na consciência fonológica da criança, que irá ajudar no processo de alfabetização em qualquer língua.
6 e 7 anos: Taco, Gato, Cabra, Queijo Pizza. (Você acha na Amazon, no Mercado Livre,…) Esse jogo ajuda a criança no desenvolvimento do controle inibitório, melhora o foco e a concentração. Não é um jogo eletrônico e não requer nenhum preparo, é só jogar e ter todos os benefícios complexos trazidos por um jogo simples.
8 e 9 anos: Ter sempre papel e lápis na bolsa à disposição para fazer esse jogo. Você pode começar você mesmo escrevendo a descrição de algum objeto do ambiente, ou descrevendo alguma situação que você consegue observar no momento e pedir para a criança ler e te dizer sobre o que você escreveu. Depois você pede para a criança fazer o mesmo e você tem que “adivinhar” sobre o que ela escreveu. Se você quiser, pode deixar a criatividade fluir e podem juntos começar a construir uma história e os personagens são as pessoas do ambiente.
O futuro do seu filho começa com as conexões neurais que ele está formando agora.
Em breve teremos mais posts da mesma série sobre desenvolvimento cerebral, falando sobre o desenvolvimento cerebral de adolescentes, jovens, adultos E idosos (sim, nós aprendemos em todas as etapas da vida!)
Vamos construir essas conexões juntos?
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