SORRIA… E APRENDA!
Nossas emoções tem um papel central e muito importante no processo de aprendizado, influenciando como absorvemos novas informações, a nossa capacidade de retenção, assim como a nossa motivação de continuar explorando novas idéias. Por muito tempo, achava-se que “aprender” era uma exclusividade do lado cognitivo do nosso cérebro, era algo que era processado de forma meramente lógica que recorria à memória e a razão. Hoje em dia a visão de especialistas e pesquisadores é de que qualquer aprendizado também recorre às nossas emoções. A maneira em que nos sentimos enquanto aprendemos pode afetar de forma significativa a qualidade, a profundidade e o impacto à longo prazo do que estamos aprendendo.
Primeiramente, as emoções afetam nossa atenção, sem a qual não conseguimos aprender. Quando um aluno sente-se curioso, interessado ou entusiasmado, seu cerébro fica mais aberto e receptivo. Emoções positivas estimulam a dopamina, um neuro-transmissor associado à motivação e à recompensa, permitindo assim um maior grau de concentração e uma pré-disposição para exploração e engajamento em tarefas desafiantes. Por outro lado, emoções negativas como ansiedade, medo e frustração podem limitar a nossa atenção. Quando o cérebro detecta ameaças ou altos níveis de stress, ele acende um modo de sobrevivência, o que bloqueia qualquer capacidade de concentração em tarefas acadêmicas. É por isso que um aluno que sente-se ansioso durante uma prova não consegue ter o mesmo desempenho que normalmente teria sem a pressão de estar sendo avaliado.
Emoções também são responsáveis pela capacidade de retenção do nosso cérebro, e sem a nossa memória não conseguimos aprender. Sejam as nossas experiências emocionais positivas ou negativas, nós conseguimos lembrá-las melhor do que quando elas são neutras. A razão disso é que as emoções ativam estruturas cerebrais centrais como a nossa amígdala e o hipocampus, que fortificam à formação da nossa memória. A implicação disso é que as aulas que temos na escola são as que nos engajam emocionalmente. Uma história que nos leva a dar risadas, uma atividade manual que fazemos com entusiasmo, ou uma discussão que nos leva a sentir empatia aumenta de forma significativa as chances de tornar o aprendizado em algo que não será facilmente esquecido. Por outro lado, quando nos sentimos estressados ou emocionalmente desconfortáveis, isso pode resultar numa má-formação da memória, impedindo assim nossa capacidade de ligar idéias ou reter informações.
Além da atenção e da memória, as emoções também influenciam a motivação, o que é imprescindível para a nossa predisposição de aprender. Alunos que se sentem apoiados e confiantes não são avessas ao risco, e não desistem quando sentem-se desafiados. Emoções positivas estimulam a nossa crença na nossa própria capacidade, e isso aumenta as nossas chances de êxito no que está sendo aprendido. Quando um aluno tem autoconfiança sobre o que está aprendendo, ele normalmente engaja-se de forma proativa, procura obter feedback, e valoriza as chances de ter novas experiências. Por outro lado, sentimentos desencorajadores, vergonha, ou ineptidão podem ir de encontro à motivação. Um aluno que tenha receio de errar pode suprimir seu desejo de participar em discussões, mesmo que saiba que domina o assunto. Isso demonstra como é importante tornar o ambiente em que um aluno está aprendendo num lugar em que percebe-se que ele está sendo apoiado, e que onde o erro é visto não como uma evidência da nossa incapacidade, mas como um passo essencial na nossa jornada educativa.
A natureza social das nossas emoções também tem um papel fundamental na capacidade que temos de aprender. Somos seres essencialmente sociais, portanto nossas conexões emocionais com nossos professores, colegas de turma, assim como o ambiente em que aprendemos podem por si só aumentar o nosso engajamento. Um relacionamento onde um aluno sente-se apoiado pelo professor pode resultar num aumento da sua autoconfiança , e isso naturalmente torná-lo participativo. Quando os alunos sentem-se respeitados e compreendidos, eles aceitam a liderança do professor e estão mais predispostos a correrem riscos. Da mesma forma, atividades colaborativas ajudam os alunos à terem ligações emocionais com seus colegas, o que resulta num senso de pertencimento, essas situações contribuem para um nivel mais profundo de aprendizagem.
Nossas características pessoais assim como a da nossa cultura são também fundamentais na maneira em que nossas emoções afetam nossa capacidade de aprender. Alguns alunos não tem receio de mostrar seus sentimentos, outros já processam suas emoções internamente. Alguns são movidos por desafios, já outros preferem um ambiente calmo e previsível para aprenderem. Educadores precisam compreender para adaptar a sua metodologia, estilos de comunicação e dinâmicas de sala-de-aula para apoiar diversos estilos de aprendizado. Essa abordagem adaptativa não apenas aumenta a capacidade do aluno ter um bom desempenho, mas desenvolve o seu QI emocional, uma habilidade indispensável para navegarmos nas complexidades da vida moderna.
Finalmente, ensinar a reconhecer, entender e administrar nossas próprias emoções é uma forma de empoderar uma pessoa para ter sucesso em sua vida pessoal e acadêmica. À medida que um aluno desenvolve a capacidade de perceber suas próprias emoções, ele (ou ela) melhora a sua capacidade de regular o estresse, estabelecer metas e manter-se motivado. Ao incorporar ao nosso dia-a-dia atividades como mindfulness, auto-reflexão, e discussão sobre nossos sentimentos, nós melhoramos nossa resiliência emocional, o que nos ajuda a navegar pelos desafios que enfrentamos, sejam eles dentro ou fora da sala de aula.
Em resumo, nossas emoções não são um obstáculo à nossa educação , mas uma parte essencial para que o que estamos aprendendo seja duradouro e relevante às nossas vidas. Elas influenciam à forma em que prestamos atenção, como conseguimos lembrar, o quanto nos sentimos motivados, e como conseguimos criar laços com nossos colegas. Quando educadores abraçam e reconhecem as dimensões emocionais do aprendizado, eles criam um ambiente no qual alunos sentem-se apoiados e prontos para aprender. Ao compreender as ligações inseparáveis da cognição com a emoção nós tornamos uma experiência educacional não apenas mais eficaz, mas mais humana.








